Pensar... Verbo que eu conjugo com frequência. No passado, no presente e no futuro... É por pensar demais que fiz esse blog, onde quero escrever meus pensamentos tortos ou certos. Tendo a certeza de que é só uma das infinitas formas de perceber algum assunto. A minha forma de pensar. Simples ou complexo, todo texto é um simples pensar...

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

O Cronista





Também chamado de galinha e estilita
 De seu tempo encharcado
O cronista dá o seu recado
Sendo doce ou azedo, mas com regularidade
É consumido por leitores
Em poltronas ou salas de aula

Exposto a sol e chuva, dia após dia
Transforma-se em estilista
Na implementação de sua escrita
Contos, momentos mil
Critica social de algo vil
Diferente do articulista, que só expõe e defende textos
É livre na sua redação
E impõe sua subjetividade
Na explicação da realidade

O "eu" desse tipo de escritor
É de utilidade publica, faz favor
Interferir no cotidiano é sua função
Fora de época, publicados em livro
A crueza no tratamento dos assuntos perde a emoção

Mas tal fato não lhe aborrece
E crônico que é, nunca arrefece
E paira por seu tempo, mesmo doente

De tanto viver nele e melhor entendê-lo em sua mente.



Retextualização da crônica 'O Cronista é um escritor crônico' de Affonso Romano Sant'Anna por Andre Nemeth


O Cronista é um escritor crônico

O primeiro texto que publiquei em jornal foi uma crônica. Devia ter eu lá uns 16 ou 17 anos. E aí fui tomando gosto. Dos jornais de Juiz de Fora, passei para os jornais e revistas de Belo Horizonte e depois para a imprensa do Rio e São Paulo. Fiz de tudo (ou quase tudo) em jornal: de repórter policial a crítico literário. Mas foi somente quando me chamaram para substituir Drummond no Jornal do Brasil, em 1984, que passei a fazer crônica sistematicamente. Virei um escritor crônico. O que é um cronista? Luís Fernando Veríssimo diz que o cronista é como uma galinha, bota seu ovo regularmente. Carlos Eduardo Novaes diz que crônicas são como laranjas, podem ser doces ou azedas e ser consumidas em gomos ou pedaços, na poltrona de casa ou espremidas na sala de aula. Já andei dizendo que o cronista é um estilita. Não confundam, por enquanto, com estilista. Estilita era o santo que ficava anos e anos em cima de uma coluna, no deserto, meditando e pregando. São Simeão passou trinta anos assim, exposto ao sol e à chuva. Claro que de tanto purificar seu estilo diariamente o cronista estilita acaba virando um estilista. O cronista é isso: fica pregando lá em cima de sua coluna no jornal. Por isto, há uma certa confusão entre colunista e cronista, assim como há outra confusão entre articulista e cronista. O articulista escreve textos expositivos e defende temas e idéias. O cronista é o mais livre dos redatores de um jornal. Ele pode ser subjetivo. Pode (e deve) falar na primeira pessoa sem envergonhar-se. Seu "eu", como o do poeta, é um eu de utilidade pública. Que tipo de crônica escrevo? De vários tipos. Conto casos, faço descrições, anoto momentos líricos, faço críticas sociais. Uma das funções da crônica é interferir no cotidiano. Claro que essas que interferem mais cruamente em assuntos momentosos tendem a perder sua atualidade quando publicadas em livro. Não tem importância. O cronista é crônico, ligado ao tempo, deve estar encharcado, doente de seu tempo e ao mesmo tempo pairar acima dele.

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